Utilização de água de condensação para reposição em torres de resfriamento

Por Edgar E. Watanabe

Muito se comenta sobre a viabilidade de aproveitamento da água condensada (A.C.) gerada nos sistemas de ar-condicionado. A conclusão imediata é que, sem dúvida, é uma fonte de água de boa qualidade, baixo custo e que pode ser recuperada e reaproveitada em várias aplicações como, por exemplo, reservatórios de incêndio, descargas de banheiros, jardins, limpeza de solo e principalmente como reposição em torres de resfriamento. 

Nos Estados Unidos, a principal preocupação com utilização de água condensada em sistemas de irrigação e descargas de vasos sanitários, onde uma névoa de água pode se formar, é o de existir um potencial de contaminação por Legionella se esta água não estiver com tratamento eficaz no controle microbiológico.

Por outro lado, em edifícios mais antigos onde a infraestrutura civil e hidráulica necessária ao reaproveitamento é difícil, deve-se levar em conta o investimento necessário para o reaproveitamento de A.C. 

No final das contas, a decisão de recuperar A.C. é uma avaliação de quanto será necessário investir, quantidade de água recuperada e diminuição da conta de água. Às vezes o Retorno Sobre o Investimento (ROI) é longo e não vale a pena financeiramente. Sem dúvida alguma, os novos projetos de sistemas de ar-condicionado devem incorporar infraestrutura para recuperação, armazenamento e reuso deste importante recurso sustentável verde e economicamente atraente. 

Para verificar a viabilidade da utilização da água de condensação para a reposição em torres de resfriamento, a Chemgard desenvolveu um estudo técnico conduzido pelo diretor da empresa, o engenheiro Edgard Watanabe, publicado na Revista Abrava (Ano V – N.52 – Ano 2018) que chegou a seguinte conclusão: 

A composição do ar atmosférico e aspectos de qualidade da filtração irão determinar a composição de Água Condensada em termos de PH que, no caso de G.S.P., foi ligeiramente ácido, e um teor de sólidos dissolvidos alto, aproximando-se de uma água clarificada. 

PH6,0 – 6,8
STD60 – 80 ppm

Corrosividade da A.C.
A taxa de corrosão é alta devido ao PH, ao alto teor de STD e nada de Dureza. Essa característica pode ser avaliada por meio do famoso Índice de Longelier, cujo valor negativo encontrado de -3,5 pode ser interpretado como sendo CORROSIVO. De qualquer maneira, a taxa de corrosão encontrada mostra esse potencial corrosivo: Tx corrosão sem tratamento 12 – 17 mpy.

Crescimento Microbiológico na A.C. 

O potencial de crescimento microbiológico é alto em função das características da A.C. proporcionarem este desenvolvimento. Assim, o fato de a água condensada ser aerada, ter contaminantes que proporcionariam os nutrientes nas temperaturas ideais para o crescimento de todo tipo de microorganismo, acabam dando a tendência de alto crescimento microbiológico. 

locais UFC/ml
variados104 – 106

Tratamento da A.C. 

Neste trabalho, a finalidade foi a utilização da A.C como reposição de Torre de Resfriamento, assim, não foram levados em conta os potenciais problemas que esta A.C. poderia causar se recuperada e reutilizada em outros setores, onde, condições de armazenamento e níveis de cloração deverão ser avaliados e revisados. Com relação ao Programa de Tratamento aplicado ser de tecnologia tradicional com PO4 e agente oxidante, porém com aplicação diferenciada devido a sua apresentação em estado sólido, observou-se que os resultados obtidos para controle de corrosão e crescimento microbiológico foram dentro dos objetivos de tratamento de água. 

AvaliaçãoResultados
Tx corrosão (mpy)3,0 – 5,0
Crescimento microbiológico (UFC/ml)< 103